Grupo de pesquisa/Infectologia e ambiente/ Varredura de 27.08.2026

Onde mora a doença respiratória no DATASUS

Um mapa do que existe, do que não existe e do que custa baixar, escrito para quem vai usar o dado sem escrever código.

207.252arquivos no FTP
991,0 GBacervo completo
64categorias respiratórias
1agravo resp. no SINAN
0bases de SRAG no FTP
0,41 GBSIVEP, 18 anos
01 — A regra que explica tudo

O DATASUS não é um banco de dados

É um conjunto de arquivos num servidor, organizado por convenção de nome. Não existe consulta, não existe login, não existe filtro. Você baixa arquivos inteiros e filtra depois.

Isso tem uma consequência que muda todo o planejamento do estudo: o custo de pegar uma doença depende de como ela é registrada, não de quão comum ela é. Existem exatamente dois regimes, e confundir os dois é a origem da maioria dos erros de análise em DATASUS.

Regime A — base dedicada

A doença tem arquivo próprio

Vale para os 57 agravos de notificação compulsória do SINAN: dengue, tuberculose, hanseníase, meningite. Cada um tem sua tabela, com ficha de investigação e colunas próprias. Escolher a doença é escolher o arquivo.

Dengue, série nacional completa: 1,0 GB o SINAN inteiro cabe em 3,1 GB
Regime B — campo CID-10

A doença é só um código dentro do registro

Vale para todo o resto, respiratório incluído. O SIM não sabe o que é asma: ele sabe que houve um óbito e carrega um código CID junto. Para achar a doença é preciso baixar a fatia inteira e filtrar linha a linha.

Asma, internações do Brasil, série completa: 23,7 GB 1,1 GB se recortar para DF e Goiás
O ponto que decide o projeto

Nenhuma doença respiratória comum está no regime A. Asma, DPOC, bronquite, rinite, sinusite, pneumonia e gripe não são de notificação compulsória, então não existe base nominativa de nenhuma delas. A única exceção do capítulo respiratório é a pneumoconiose (J60J65), que entra pelo SINAN como agravo ocupacional, via o agravo PNEU, e não serve para vigilância geral.

Na prática, um estudo respiratório opera inteiramente no regime B, e o volume de download é a restrição real do projeto.

02 — Onde está cada doença

Capítulo X do CID-10, código por código

As 64 categorias do aparelho respiratório, e em qual sistema cada uma aparece. Busque pelo nome da doença ou pelo código.

O que cada sistema enxerga

Um mesmo caso de asma pode aparecer em vários sistemas ou em nenhum, dependendo do que aconteceu com o paciente. Isso não é redundância: cada sistema é um desfecho diferente, e a escolha entre eles é uma decisão de desenho do estudo.

SistemaO evento que ele registraCampo com o CID DesdeVolume
SIM
DO ↗
Óbito. Única cobertura universal do acervo: independe de o paciente ter usado o SUS. CAUSABAS19962,39 GB
SIH-SUS
RD ↗
Internação paga pelo SUS. Traz diagnóstico principal e até doze secundários. DIAG_PRINC, DIAG_SECUN, DIAGSEC19 199223,67 GB
CIHA
CIHA ↗
Internação não paga pelo SUS. Complementa o SIH, mas com preenchimento irregular. DIAG_PRINC20115,27 GB
SIA-SUS
PA ↗
Procedimento ambulatorial consolidado. Cobre o atendimento que não internou. PA_CIDPRI1994200,87 GB
SIA-SUS
BI ↗
Boletim ambulatorial individualizado, com identificação do paciente. PA_CIDPRI2008134,27 GB
SINAN
PNEU
Pneumoconiose ocupacional. Único agravo respiratório com base própria, e não serve para vigilância geral. tabela dedicada2006< 0,01 GB
Como ler estes volumes

São os arquivos comprimidos .dbc, somando todas as UFs e todos os anos, já descontando o arquivo nacional que duplica a série. Ao descompactar, o volume cresce de quatro a oito vezes. E o filtro por doença só acontece depois do download: para chegar às 64 categorias respiratórias você baixa 100% do arquivo.

03 — O que não está aqui

SRAG, influenza e COVID não existem neste servidor

Esta é a informação mais importante do levantamento, e a que mais muda o desenho de um estudo de infectologia respiratória.

A varredura percorreu os 207.252 arquivos procurando por srag, influenza, gripe, covid, corona e sivep no caminho e no nome. Zero resultados. Não é uma pasta escondida nem uma falha da varredura: a vigilância de síndrome respiratória aguda grave simplesmente é publicada em outro lugar.

Consequência para o projeto

Se o estudo depende de caso confirmado de SRAG, influenza ou COVID com detalhe clínico, o dado não vem deste FTP. Vem do SIVEP-Gripe, publicado em dadosabertos.saude.gov.br, em CSV e Parquet, por HTTP. É outro pipeline, com outro formato e outro dicionário. Está levantado por completo na seção 05: 18 anos, volume ano a ano e as 194 variáveis.

Dentro do DATASUS, essas doenças só aparecem como código: J09 a J11 para influenza e U07.1/U07.2 para COVID, e apenas quando houve internação (SIH) ou óbito (SIM). É o desfecho grave, nunca o caso notificado.

Conjunto no SIVEP-GripeCaminhoFormatos
SRAG 2009 a 2012/dataset/srag-2009-2012CSV, XML, JSON, API, PDF
SRAG 2013 a 2018/dataset/srag-2013-2018CSV, XML, JSON, API, PDF
SRAG 2019 a 2026 absorveu a COVID/dataset/srag-2019-a-2026CSV, XML, JSON, API, Parquet, PDF
Ocupação hospitalar COVID-19/dataset/registro-de-ocupacao-hospitalar-covid-19CSV, XML, JSON, API

Até 2019 a vigilância de vírus respiratórios era focada em influenza; a partir de 2020 o mesmo sistema passou a registrar SARS-CoV-2. Por isso a série 2019–2026 é a que contém a pandemia, e não existe uma base de COVID separada.

Dicionário não é dado

O pacote TAB_SINANNET.zip traz um InfluenzaNET.def, ficha de investigação de influenza, e o mesmo vale para febre amarela e febre do Nilo Ocidental. Nenhum deles tem microdado publicado. Encontrar o dicionário de uma doença no DATASUS não significa que o dado dela exista.

Também fora deste FTP: a atenção primária, que está no SISAB e está levantada na seção 06 — com um resultado que muda o escopo do estudo. O SIVEP-Malária e os Registros de Câncer de Base Populacional igualmente não estão aqui.

05 — SIVEP-Gripe

A segunda frente do levantamento

Dezoito anos de vigilância de síndrome respiratória aguda grave, medidos arquivo a arquivo em 1º de setembro de 2026. É a fonte que o FTP do DATASUS não tem.

O SIVEP-Gripe nasceu da pandemia de H1N1 em 2009 como vigilância sentinela de influenza, e em 2020 passou a registrar também SARS-CoV-2. Ele não está no ftp.datasus.gov.br porque é publicado pelo portal de dados abertos do Ministério da Saúde, com outra mecânica: HTTPS em vez de FTP, CSV e Parquet em vez de .dbc, um arquivo por ano em vez de um por UF e mês.

Por que esta fonte muda o desenho do estudo

SIM e SIH entregam um evento com um código CID e o município. O SIVEP-Gripe entrega 194 variáveis por caso, incluindo o agente etiológico confirmado em laboratório, comorbidades, tabagismo, zona urbana ou rural de residência e a data dos primeiros sintomas.

Na prática isso significa que aqui a análise pode ser individual, com ajuste por confundidor, e não apenas ecológica por município. É a diferença entre "municípios com mais material particulado tiveram mais internações" e "pessoas expostas a mais material particulado adoeceram mais, controlando por idade, tabagismo e comorbidade".

SIVEP-Gripe: volume do arquivo por ano

Tamanho do CSV de cada ano, medido no servidor. É a forma mais direta de ver a pandemia — e o problema que ela cria.

49 MB
1,70 GB
09'1011'1213'1415'1617'1819'2021'2223'2425'26

O arquivo de 2021 é trinta e cinco vezes o de 2019. Parte disso é doença e parte é esforço de notificação, que subiu junto. Uma série que atravesse 2020 sem tratar essa mudança de denominador vai atribuir ao ambiente o que foi mudança de vigilância.

Volume ano a ano

Todos os tamanhos foram lidos por requisição direta ao servidor. O Parquet existe só de 2019 em diante e é em média quatorze vezes menor que o CSV do mesmo ano, com o mesmo conteúdo. Clique no tamanho para baixar.

AnoCSVParquet
200921 MBnão publicado
20103 MBnão publicado
20111 MBnão publicado
20126 MBnão publicado
201311 MBnão publicado
20146 MBnão publicado
20154 MBnão publicado
201616 MBnão publicado
20179 MBnão publicado
201814 MBnão publicado
201949 MB3 MB ↓
2020 chegada da COVID1.17 GB83 MB ↓
2021 pico da série1.70 GB121 MB ↓
2022594 MB42 MB ↓
2023302 MB21 MB ↓
2024288 MB20 MB ↓
2025364 MB26 MB ↓
2026 ano em curso211 MB15 MB ↓
2009–2026 4.73 GB 331 MB
O número que interessa

A série completa, usando Parquet onde ele existe e CSV nos anos anteriores a 2019, ocupa 420 MB. A mesma série toda em CSV ocupa 4.73 GB. Para efeito de comparação, o núcleo de óbito mais internação do FTP do DATASUS ocupa 26,1 GB.

E, ao contrário do FTP, estes links abrem no navegador. São HTTPS, baixam com um clique e não exigem FileZilla nem Explorador de Arquivos.

As 194 variáveis, por grupo

Lidas do cabeçalho do arquivo de 2024. O separador é ponto e vírgula e a codificação é Latin-1, não UTF-8 — abrir como UTF-8 corrompe todo acento.

GrupoVarsCampos que importam ao estudo
Laboratório32 O agente confirmado, caso a caso: PCR_SARS2, PCR_VSR, PCR_RINO, PCR_ADENO, PCR_METAP, PCR_BOCA, PCR_PARA1 a 4, TP_FLU_PCR para o subtipo de influenza. Nada disso existe no FTP do DATASUS.
Geografia11 CO_MUN_RES é o município de residência, mesmo código IBGE que liga às camadas ambientais. CS_ZONA separa urbana, rural e periurbana — uma variável de exposição que SIM e SIH não têm.
Tempo25 DT_SIN_PRI é a data dos primeiros sintomas, e é ela que deve ancorar a janela de exposição ambiental, não DT_NOTIFIC nem DT_INTERNA, que carregam atraso do sistema.
Comorbidade14 ASMA, PNEUMOPATI, CARDIOPATI, DIABETES, OBESIDADE, IMUNODEPRE, RENAL. Mais TABAG e OBES_IMC no grupo geral.
Sintoma13 DISPNEIA, DESC_RESP, SATURACAO, TOSSE, FEBRE. Permite gradar apresentação clínica.
Desfecho6 HOSPITAL, UTI, SUPORT_VEN, EVOLUCAO, CLASSI_FIN. Gradiente de gravidade até o óbito, no mesmo registro.
Vacina11 VACINA para influenza e VACINA_COV com as doses. Confundidor incontornável em qualquer série que cruze 2021.
Demografia6 NU_IDADE_N, CS_SEXO, CS_RACA, CS_ESCOL_N, CS_GESTANT.
Demais76 Fluxo da notificação, unidade de internação, antivirais, raio-X e tomografia, AVE_SUINO para contato zoonótico, NOSOCOMIAL para infecção hospitalar.

Quatro ressalvas antes de usar

Só caso grave, por definição

SRAG exige febre mais tosse ou dor de garganta, e dispneia ou saturação abaixo de 95% ou desconforto respiratório. Gripe leve, asma controlada e rinite nunca entram. Esta base descreve a ponta grave da pirâmide, e a taxa daqui não é incidência da doença, é incidência de forma grave notificada.

A curva de 2020 e 2021 mistura doença com vigilância

O arquivo de 2021 tem 1,70 GB e o de 2019 tem 49 MB — trinta e cinco vezes mais. Parte disso é pandemia real e parte é o esforço de notificação, que subiu junto. Comparar 2019 com 2021 sem tratar essa mudança de denominador produz efeito ambiental onde há mudança de vigilância.

"Banco vivo" quebra reprodutibilidade

Os arquivos de 2025 e 2026 são atualizados semanalmente e o nome carrega a data da versão: INFLUD25-24-08-2026.csv. Os anos de 2019 a 2024 foram congelados em 23 de março de 2026, mas já foram reprocessados antes. Guarde o arquivo baixado e registre a data no método: rodar de novo em outro dia dá outro resultado.

Licença mais restritiva que a do FTP

Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0. Permite usar e citar, e a leitura conservadora da cláusula SemDerivações é que ela restringe redistribuir a base modificada. Publicar análise e resultado não é problema; republicar um recorte tratado como dataset próprio precisa ser verificado antes.

Onde tudo isso mora

Páginas oficiais dos três conjuntos

Dicionário de dados e ficha de notificação

O dicionário de 2019 a 2025 foi atualizado em 29 de janeiro de 2026 e está na página do conjunto 2019–2026. Sem ele as 194 colunas são códigos sem significado, exatamente como os .CNV do DATASUS.

06 — SISAB

A base da pirâmide, que não entrega microdado

A atenção primária é onde rinite, sinusite, bronquite e asma leve são de fato atendidas. Levantado em 1º de setembro de 2026, e o resultado é negativo em quase tudo que importa.

O SISAB substituiu o SIAB em 2013 e recebe os dados do e-SUS APS, coletados pela Ficha de Atendimento Individual e pelo Prontuário Eletrônico do Cidadão. É o único sistema nacional que enxerga o atendimento que não internou, não matou e não foi notificado — exatamente a faixa que SIM, SIH e SIVEP-Gripe deixam de fora.

Três achados que fecham a porta

Não está no ramo público do FTP. A varredura dos 207.252 arquivos dos 22 sistemas de /dissemin/publicos não retornou nenhuma ocorrência de SISAB, SIAB ou atenção básica. Existe um ramo /Siab/ na raiz do servidor, mas ele nega acesso anônimo. As seis linhas que casam com esus são todas do ESUSNOTIFICA, que é doença de Chagas crônica.

Não publica microdado. O acesso público é por relatório tabulado no portal do SISAB, alcançado pelo e-Gestor AB. Sai contagem por município e competência, não sai uma linha por atendimento. Não existe arquivo equivalente ao .dbc do DATASUS nem ao Parquet do SIVEP.

O código da doença é opcional. Este é o achado que decide. A Ficha de Atendimento Individual resolve "Problema/Condição Avaliada" com uma lista de marcação rápida — asma está nela, hipertensão e diabetes também. Só o que não está na lista precisa ir no campo "Outros", e só aí entra código CIAP-2 e/ou CID-10. É obrigatório marcar ao menos uma condição; não é obrigatório codificar.

A consequência prática para um estudo respiratório é direta. Asma tem caixa de marcação e sai razoavelmente. Rinite, sinusite, bronquite e DPOC dependem de alguém ter digitado um código num campo livre, no meio da consulta, sem que o sistema exija. É o oposto do SIH, onde DIAG_PRINC é obrigatório porque a AIH não é paga sem ele.

Some-se a isso a dupla codificação. A atenção primária brasileira usa CIAP-2, pensada para motivo de consulta, enquanto o resto do acervo usa CID-10, pensada para diagnóstico e causa de morte. A correspondência entre as duas não é de um para um: o capítulo R da CIAP-2 agrupa em uma rubrica o que a CID-10 separa em várias categorias J. Emendar as duas exige tabela de conversão e assumir perda.

O que existe, de fato

O que éGranularidadePeríodoServe para o estudo?
Relatório de Produção
portal SISAB
Município, competência, equipe. Filtros por sexo, idade, categoria profissional e Problema/Condição Avaliada com CID ou CIAP. Corrente Como camada de contexto. Dá contagem agregada de atendimento por condição e município. Não junta no nível do indivíduo com nada.
Indicadores Previne Brasil
dados abertos ↗
Nacional com desagregação municipal. Sete indicadores de desempenho. 2018–2024 Não. Os sete indicadores são pré-natal, citopatológico, vacina, hipertensão e diabetes. Nenhum é respiratório.
SIAB
antecessor
Tabulação agregada no TabNet antigo, em www2.datasus.gov.br. até 2015 Não. Agregado, encerrado, e sem codificação de morbidade compatível.
O programa acabou, a série fechou

O Previne Brasil foi encerrado pela Portaria GM/MS nº 3.493, de 10 de abril de 2024. O conjunto de indicadores no portal de dados abertos cobre 2018 a 2024 e não continua. Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0, a mesma do SIVEP-Gripe.

Estado do host em 1º de setembro de 2026

sisab.saude.gov.br não respondeu, testado de duas redes independentes e também pelo navegador. egestorab.saude.gov.br responde normalmente e é o caminho de entrada para os relatórios. Com o portal fora, a lista completa de filtros do Relatório de Produção não pôde ser conferida na origem: o que está acima vem da documentação do e-SUS APS e das notas técnicas, não da tela. Precisa ser reconferido quando o host voltar.

Conclusão do levantamento

O SISAB não entra como fonte de caso. Não há microdado, a codificação de morbidade é opcional e o vocabulário é outro. O que ele pode fazer é servir de camada de contexto por município: volume de atendimento na atenção primária e cobertura de equipes, que ajudam a explicar por que dois municípios com exposição ambiental parecida têm taxas de internação diferentes.

Isso deixa uma lacuna assumida e que precisa ir na limitação do artigo: a morbidade respiratória leve é invisível em todas as fontes levantadas. O estudo vai medir internação, óbito e caso grave notificado. Quem teve crise de asma e resolveu na UBS não aparece em lugar nenhum com código confiável.

Consequência útil, e não só uma limitação

Como o desfecho medido é sempre o grave, o gradiente de exposição ambiental aparece amplificado: preciso de menos municípios e menos anos para detectar efeito do que precisaria se estivesse medindo consulta ambulatorial. A base da pirâmide faltar encolhe a pergunta, não inviabiliza a resposta.

07 — A camada ambiental

Clima, ar, água e a geografia do caso

A outra metade do estudo, levantada em 1º de setembro de 2026. A frente da localização das unidades tem resultado negativo.

Tudo aqui é avaliado por um critério só: qual o tamanho da célula comparado ao município brasileiro médio, que tem 1.528 km², algo como 39 por 39 quilômetros. Uma fonte cuja célula seja maior que isso não consegue distinguir um município do vizinho, e aí a variável ambiental entra no modelo como constante.

Tamanho da célula contra o município

Tudo na mesma escala. O quadrado tracejado é o município brasileiro médio, 39 por 39 quilômetros.

MERRA-2CAMS IMERGTROPOMIMAIAC 55 × 65 km40 km 11 km5,5 × 3,5 km1 km 0,4 célula1 célula 13 células79 células 1.500 células por municípiopor município por municípiopor municípiopor município laranja: não distingue municípios vizinhos. azul: resolve dentro do município. Quadrado tracejado = município médio, 39 × 39 km.
O MERRA-2, que é o produto de clima do Giovanni, tem célula maior que o município médio brasileiro: serve para temperatura e umidade, que variam suavemente, e não para material particulado. O MAIAC, de 1 km, é o único que enxerga gradiente dentro da cidade — e não está no Giovanni.
FonteVariávelCélula Por município médioCobertura
MODIS MAIAC
MCD19A2
Profundidade óptica de aerossóis em 550 nm, o proxy padrão de PM2,5 na literatura 1 km ≈ 1.500 células Diária, 2000–atual
Sentinel-5P
TROPOMI
NO₂, SO₂, CO, formaldeído e índice de aerossóis 5,5 × 3,5 km ≈ 79 células Diária, 2018–atual
GPM IMERG
no Giovanni
Precipitação 0,1° ≈ 11 km ≈ 13 células 30 min, 2000–atual
CAMS
reanálise
PM2,5, PM10, O₃ e NO₂ como concentração, não como proxy ≈ 40 km ≈ 1 célula Horária, 2003–atual
MERRA-2
no Giovanni
Temperatura, umidade, vento, pressão e AOD 0,5° × 0,625°
≈ 55 × 65 km
0,4 célula Horária, 1980–atual
O Giovanni sozinho não entrega a melhor resolução

O Giovanni é uma interface web sobre os acervos do GES DISC da NASA. Serve muito bem para explorar e decidir: escolhe a variável, desenha o retângulo sobre o Brasil, vê a série temporal e exporta em NetCDF ou CSV, com login Earthdata gratuito.

Mas os produtos que ele serve para clima são o MERRA-2 e o IMERG. O MERRA-2, a 55 por 65 quilômetros, tem uma célula maior que o município médio brasileiro. Serve para temperatura e umidade, que variam suavemente no espaço, e não serve para material particulado, que varia de bairro para bairro. O MAIAC de 1 km, que é o produto de melhor resolução para aerossóis, não está no Giovanni: sai pelo LAADS DAAC, pelo AppEEARS ou pelo Google Earth Engine.

A divisão que funciona: Giovanni para as variáveis meteorológicas e para prototipar; MAIAC e TROPOMI, por fora, para a exposição de interesse.

AOD não é PM2,5

O MAIAC mede a coluna atmosférica inteira vista do satélite, não a concentração no ar que a pessoa respira. Converter um no outro exige calibração contra estações de solo, e o Brasil não tem rede nacional de monitoramento de ar. A rede densa é a da CETESB, em São Paulo. Centro-Oeste, Norte e boa parte do Nordeste têm cobertura esparsa ou nenhuma.

Ou seja: a calibração é mais frágil justamente fora do eixo Sudeste. Ou se usa AOD como índice relativo de exposição, sem afirmar µg/m³, ou se adota o CAMS, que já entrega concentração modelada, pagando o preço dos 40 km. Declarar qual dos dois caminhos foi escolhido, e por quê, é obrigatório no método.

A localização da unidade: onde a resposta é não

A localização da UBS onde o caso foi registrado permitiria análise geoestatística sobre pontos, e não sobre polígonos municipais. As duas pontas dessa junta foram levantadas separadamente, e ela não fecha.

Nenhuma fonte de caso levantada traz a UBS

A verificação foi feita campo por campo. O SIM não tem estabelecimento. O SIVEP-Gripe não tem CNES da unidade notificadora — das 194 colunas, a menor unidade de notificação é CO_MUN_NOT, o município. O SIH e o CIHA têm CNES, mas é o hospital da internação, não uma UBS. O SIA tem PA_CODUNI, que pode ser uma unidade básica — e é a fonte de CID mal preenchido.

O registro por UBS existe no SISAB, que, como levantado na seção 06, não publica microdado. A junta caso-UBS não está disponível em nenhuma combinação de fontes públicas.

O que está disponível, e ainda é útil: as coordenadas de todos os estabelecimentos de saúde do país, para cruzar com o CNES do SIH. Isso dá o ponto do hospital da internação, que é resolução submunicipal de verdade e sustenta krigagem e autocorrelação espacial.

Mas cuidado com o que esse ponto significa

A coordenada do hospital é onde a pessoa procurou atendimento, não onde ela respirou. Interpolar exposição ambiental sobre pontos de hospital produz um mapa da rede assistencial. É a mesma armadilha de residência contra ocorrência, um nível abaixo, e mais traçoeira porque o resultado fica bonito.

O uso defensável é o inverso: usar a rede de estabelecimentos como variável de acesso — distância até o serviço mais próximo, densidade de leitos por município — e manter MUNIC_RES como a unidade espacial da exposição.

Um ramo do FTP fora do inventário inicial

A busca pelas coordenadas expôs um limite do inventário desta página: ele cobria apenas /dissemin/publicos. A raiz do ftp.datasus.gov.br tem 36 ramos, e um deles guarda a base georreferenciada do CNES, que não está no ramo de disseminação.

Base de dados do CNES, com latitude e longitude

BASE_DE_DADOS_CNES_AAAAMM.ZIP, um por mês. 115 arquivos, 53,3 GB, de janeiro de 2017 a julho de 2026. O mais recente tem 701 MB. Dentro vem tbEstabelecimento em CSV, com NU_LATITUDE e NU_LONGITUDE em WGS84. Para um recorte transversal basta um desses arquivos.

A coordenada não é obrigatória

Os campos de latitude e longitude só entraram no CNES na versão 4.0.30, competência 09/2019. Deixar em branco dispara apenas uma crítica de advertência, a de número 1225, e não impede o cadastro. Existe validação de consistência entre a coordenada e o município declarado, mas não de preenchimento.

Consequência: a completude varia por município e por ano, e provavelmente varia junto com capacidade administrativa — que correlaciona com renda. Antes de usar, meça a completude no seu recorte e reporte. Descartar estabelecimento sem coordenada não é descarte aleatório.

Qualidade da água

O sistema nacional é o SISAGUA, da vigilância em saúde, publicado no portal dados.gov.br. Tem três módulos: cadastro das formas de abastecimento, controle feito pelo prestador, e vigilância feita pela secretaria municipal. Os parâmetros básicos são turbidez, cloro residual, cor, fluoreto, coliformes totais e Escherichia coli. Série a partir de 2014, na versão SISAGUA 4.

Granularidade: município e forma de abastecimento, com periodicidade mensal. Não há coordenada de ponto de coleta nos conjuntos abertos.

O encaixe com desfecho respiratório

Qualidade da água não é exposição respiratória. Turbidez e coliforme não têm via plausível para asma ou pneumonia, e entrar com essa variável no modelo como preditor convida o revisor a perguntar qual o mecanismo.

Dois usos que se sustentam. Como marcador de infraestrutura de saneamento, ou seja, confundidor socioeconômico correlacionado com renda e com acesso a serviço — e aí entra como covariável de ajuste, não como exposição. Ou como braço separado do projeto, com desfecho de doença de veiculação hídrica, que tem via biológica clara e usa o mesmo pipeline de junta por município.

O único item não medido na origem

A API do dados.gov.br exige chave e devolve 401, e a página do conjunto não renderiza fora do navegador. Por isso o volume, o formato e a lista de arquivos do SISAGUA não estão medidos, ao contrário de tudo o mais nesta página. O que está acima vem da documentação do sistema. Precisa ser conferido antes de virar plano.

Ordem sugerida de coleta

Começar pelo que exige menos esforço e decide mais: um arquivo do CNES para as coordenadas, MERRA-2 pelo Giovanni para temperatura e umidade, e MAIAC para aerossóis. Essas três já permitem rodar o painel município por mês contra SIM e SIH e ver se existe sinal. TROPOMI, CAMS e SISAGUA entram depois, se o sinal aparecer.

08 — Os endereços do download

Onde ficam, literalmente, os arquivos

Sete pastas concentram tudo que interessa a um estudo respiratório. Estes são os endereços reais, conferidos na origem em 27 de agosto de 2026.

Leia antes de clicar

O DATASUS publica só por FTP. As portas de web do servidor estão fechadas, então não existe versão https:// destes endereços. E Chrome, Edge e Firefox removeram o suporte a FTP em 2021, ou seja, clicar nos links abaixo não vai funcionar no navegador.

O que funciona sem instalar nada: copie o endereço no botão ao lado e cole na barra de endereço do Explorador de Arquivos do Windows. A pasta abre como qualquer outra e os arquivos se arrastam para o computador. Para baixar em lote, FileZilla ou WinSCP. Existe ainda a página oficial datasus.saude.gov.br/transferencia-de-arquivos, que baixa pelo navegador, mas exige preencher um formulário de cada vez.

O nome do arquivo é o índice

Não existe busca no servidor. O nome do arquivo carrega tudo que você precisa para escolher o que baixar, e é assim que se lê:

DOtabela — DO é óbito, RD é internação
GOestado — ou BR para o arquivo nacional
2020ano — quatro dígitos no SIM, dois nos demais
.dbcformato comprimido do DATASUS

Então DOGO2020.dbc são os óbitos de Goiás em 2020, e RDDF2403.dbc são as internações do Distrito Federal em março de 2024. SIM e SINASC são anuais; SIH, SIA e CIHA são mensais, com o ano em dois dígitos seguido do mês.

Depois de baixar: como chegar ao respiratório

O arquivo vem inteiro, com todas as doenças. O recorte respiratório é um filtro sobre o campo de CID, mantendo os registros cujo código começa com a letra J. No arquivo de internação esse campo é DIAG_PRINC; no de óbito é CAUSABAS. Para incluir COVID, acrescente U07.1 e U07.2, que estão fora do capítulo J.

Os arquivos .dbc não abrem no Excel. Abrem no TabWin, que é gratuito e do próprio DATASUS, ou por código em R e Python. É o único ponto do fluxo em que alguém precisa programar, e é uma etapa só: converter o .dbc e entregar a tabela já filtrada.

Atalho que evita o download

Para explorar antes de decidir o recorte, o TabNet tabula os mesmos dados no navegador, sem baixar nada. Serve para conferir se o volume de casos justifica o estudo. Não serve para a análise final, porque entrega totais e não o microdado. E exige trocar o seletor para "Categoria CID-10", pelo motivo explicado nas armadilhas.

09 — Quanto custa baixar

Calculadora de recorte

Escolha as fontes, os estados e o período. Os números vêm da listagem do servidor arquivo a arquivo, não de estimativa.

Fontes
Abrangência
Período

Download comprimido

selecione ao menos uma fonte
Leitura recomendada do resultado

Para um primeiro estudo, óbitos e internações do Brasil inteiro, série completa, somam 26,1 GB. Isso cabe num notebook e cobre mortalidade e morbidade grave respiratória desde 1992. O ambulatorial multiplica esse número por treze e entrega um campo de CID sabidamente mal preenchido: não vale como ponto de partida.

10 — De microdado a estudo espacial

O que liga o dado de saúde ao dado ambiental

Correlacionar variáveis físicas e ambientais com desfecho respiratório impõe quatro decisões técnicas, e todas precisam ser tomadas antes da primeira linha de código.

1. A unidade espacial é o município, e só

Os microdados não têm endereço nem coordenada. A menor unidade geográfica disponível é o código IBGE de município, seis dígitos, e é ele que faz a junção com qualquer camada ambiental: temperatura, material particulado, cobertura vegetal, queimadas, umidade. Não há como descer a bairro ou setor censitário.

Consequência de desenho: toda análise será ecológica, correlacionando médias municipais com taxas municipais. Isso é legítimo e é o padrão da literatura, mas a conclusão vale para o município, não para o indivíduo. Escrever isso na limitação do artigo evita a falácia ecológica.

O erro que mais aparece em análise de DATASUS

Cada sistema tem dois códigos de município: o de residência e o de ocorrência. Para exposição ambiental você quer sempre o de residência, porque é onde a pessoa respirou. Usar o de ocorrência concentra os casos nas cidades que têm hospital de referência e produz um mapa do sistema de saúde, não da doença.

SistemaResidência — use esteOcorrência — não use para exposição
SIMCODMUNRESCODMUNOCOR
SIH-SUSMUNIC_RESMUNIC_MOV
SINASCCODMUNRESCODMUNNASC
SINANID_MN_RESIID_MUNICIP

2. Contagem não é taxa: falta o denominador

O DATASUS entrega o numerador, quantos casos. Para virar taxa por cem mil habitantes é preciso a população do município no ano, que vem das estimativas do IBGE. Sem isso, o mapa mostra onde mora gente, não onde a doença é mais frequente. A pasta IBGE do próprio FTP tem parte desse material, em 0,3 GB.

3. O SIH só enxerga quem usou o SUS

Internação por convênio ou desembolso próprio não entra no SIH. O CIHA foi criado para cobrir essa lacuna, mas o preenchimento é irregular e Roraima não tem um único arquivo. Em município com alta cobertura de plano de saúde, a taxa de internação pelo SUS subestima a doença e correlaciona com renda antes de correlacionar com ambiente. Esse é um confundidor forte num estudo ambiental e precisa entrar no modelo.

O SIM não tem esse problema: óbito é registrado independentemente de convênio. É por isso que mortalidade é o desfecho mais defensável para comparação entre municípios, mesmo sendo o evento mais raro.

4. Sem chave de paciente, não existe coorte

Não há identificador estável entre bases. CNS e CPF são removidos ou criptografados sem chave comum. Acompanhar a mesma pessoa do ambulatório à internação e ao óbito exige record linkage probabilístico, que é um projeto em si. Desenhos que funcionam sem isso: séries temporais agregadas, estudos ecológicos e case-crossover sobre eventos.

O SIVEP-Gripe abre um segundo desenho

Tudo acima vale para SIM, SIH e SIA, que só sustentam análise ecológica. O SIVEP-Gripe é a exceção do levantamento: por trazer idade, tabagismo, comorbidade, zona de residência e o agente confirmado em laboratório no mesmo registro, ele permite análise individual com ajuste por confundidor, e não só correlação de médias municipais.

O preço é o recorte: só caso grave notificado, só de 2009 em diante. O par que cobre as duas pontas é usar SIM e SIH para a série longa e o padrão espacial, e o SIVEP-Gripe para o mecanismo individual na janela recente.

Desenho que fecha com os dados disponíveis

Painel município × mês, tendo como desfecho a contagem de internações (DIAG_PRINC começando com J) e de óbitos (CAUSABAS começando com J), normalizada pela população IBGE, contra as variáveis ambientais agregadas ao mesmo município e mês. É o desenho mais leve que os dados sustentam, e cabe nos 26,1 GB de SIM mais SIH.

11 — Armadilhas verificadas

Seis erros que já custaram análise a alguém

Cada um destes foi conferido contra o arquivo de origem, não contra documentação de terceiros.

ArmadilhaO que acontece
O arquivo nacional duplica a série por UF Em SIM, SINASC e PNI existe um arquivo <PREFIXO>BR<ANO> que já agrega o Brasil. DOBR2019.dbc tem 103,4 MB e a soma das 27 UFs do mesmo ano dá 102,8 MB. Somar os dois conta cada óbito duas vezes. São 16,6 GB de duplicação no acervo.
O TabNet esconde rinite e sinusite O seletor padrão do SIH é "Lista Morb CID-10", com 298 categorias, em que J30 e J31 não têm linha própria e somem dentro de "Outras doenças do nariz e dos seios paranasais". Buscar pelo nome retorna nada, e a conclusão errada é que o dado não existe. Troque para "Categoria CID-10" ou vá ao microdado.
O dicionário de CID está defasado O CID10_3D.CNV distribuído pelo DATASUS é da geração 2008 e não tem U07, criado em 2020. Quem tabular COVID por esse dicionário perde todos os registros silenciosamente.
Um terço do acervo é o mesmo dado repetido Dos 414,8 GB do SIH, 337,2 GB são a mesma internação republicada em XML, DBF e exports anuais. O microdado real são 77,6 GB. Baixar o SIH inteiro sem saber disso multiplica o download por cinco sem ganhar um registro.
São Paulo vem fatiado UFs grandes têm arquivos partidos com sufixo de letra (PASP2501a.dbc, PASP2501b.dbc). Quem programa o download esperando um padrão fixo de oito caracteres perde metade de São Paulo sem erro visível.
A série do SIM quebra em 1996 Antes disso o SIM usa CID-9, em outra pasta e com outro dicionário. Emendar as duas séries exige tabela de correspondência CID-9 para CID-10, e vários capítulos não fecham. Para o capítulo respiratório, comece em 1996.
12 — Como citar

Referências das fontes primárias

Em ABNT, prontas para o artigo. Cite o sistema de origem, nunca este documento nem qualquer republicação de terceiros.

O DATASUS não emite DOI e não versiona as bases: o mesmo arquivo pode ser substituído no servidor sem aviso, e a série preliminar vira definitiva de um mês para o outro. Por isso a data de acesso não é formalidade, é a única coisa que torna o recorte reproduzível. Registre também, no método, a data da varredura e o volume baixado.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/mortalidade-desde-1996-pela-cid-10/. Acesso em: 27 ago. 2026.

SIM — mortalidade

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/producao-hospitalar-sih-sus/. Acesso em: 27 ago. 2026.

SIH/SUS — internação

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/producao-ambulatorial-sia-sus/. Acesso em: 27 ago. 2026.

SIA/SUS — ambulatorial

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Comunicação de Informação Hospitalar e Ambulatorial (CIHA). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/ciha/. Acesso em: 27 ago. 2026.

CIHA — fora do SUS

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/doencas-e-agravos-de-notificacao-de-2007-em-diante-sinan/. Acesso em: 27 ago. 2026.

SINAN — notificação

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/nascidos-vivos-desde-1994/. Acesso em: 27 ago. 2026.

SINASC — nascimentos

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://cnes.datasus.gov.br/. Acesso em: 27 ago. 2026.

CNES — estabelecimentos
O que declarar no método

Além da referência, o artigo precisa dizer: o período e as UFs do recorte, o campo usado para identificar a patologia (CAUSABAS no SIM, DIAG_PRINC no SIH), o critério de seleção dos códigos CID, se a análise usou município de residência ou de ocorrência, e a fonte do denominador populacional. São os seis itens que um revisor cobra.

Preliminar precisa ser declarado

Se o recorte incluir os anos mais recentes, parte do dado é preliminar e sujeito a revisão — no SIM isso vive numa pasta separada, SIM/PRELIM/DORES. Misturar preliminar com definitivo sem dizer produz uma queda artificial nos últimos anos da série, que é lida como tendência e não é.

Glossário

Microdado
Uma linha por evento — um óbito, uma internação — em vez de um total já somado. É o que permite recortar por doença, idade e município depois.
.dbc
O formato dos arquivos do DATASUS. É uma tabela comprimida com um algoritmo antigo; precisa de programa específico para abrir e cresce de 4 a 8 vezes ao descompactar.
CID-10
A classificação internacional de doenças. É a chave que identifica a patologia dentro dos registros. O capítulo X, códigos J00 a J99, é o aparelho respiratório.
SIM
Sistema de Informações sobre Mortalidade. Registra óbitos com causa básica. Cobertura universal.
SIH-SUS
Sistema de Informações Hospitalares. Registra internações pagas pelo SUS, via a AIH.
SIA-SUS
Sistema de Informações Ambulatoriais. Registra procedimentos que não geraram internação.
SINAN
Sistema de notificação compulsória. Cada agravo tem base própria — mas quase nenhuma doença respiratória está nele.
AIH
Autorização de Internação Hospitalar. É a unidade de registro do SIH: uma internação equivale a uma AIH.
UF
Unidade da Federação, o estado. Quase todos os arquivos são partidos por UF e por mês ou ano.
SRAG
Síndrome Respiratória Aguda Grave. A vigilância dela está no SIVEP-Gripe, fora deste servidor.
Estudo ecológico
Aquele em que a unidade de análise é o grupo — aqui, o município — e não a pessoa. É o desenho que estes dados sustentam.
Record linkage
Reunir registros da mesma pessoa em bases diferentes sem um identificador comum, por comparação probabilística de atributos.